Externa - Acampamento no deserto - Noite - Presente - Tempo de X&G Fade In Xena e Gabrielle estão esticadas num cobertor, estudando as estrelas.O fogo está crepitando quente, e os cavalos estão pastando alguma vegetação.O terreno mudou levemente, e há mais vegetação e as dunas são mais altas das que haviam pela manhã. Gabrielle: Eu não sabia que você costumava olhar as estrelas antes de nos conhecermos. Xena: Eu não costumava, era só pra me guiar as direções. Gabrielle: Mas você fez um pedido para aquela estrela cadente.Devia haver alguma mágica nelas para você, de qualquer forma. Xena sorri e rola para o lado e acaricia o braço de Gabrielle. Xena: Não havia mágica nas estrelas, Gabrielle, até você me ensinar como vê-la. A expressão de Gabrielle é surpresa.Ela sorri e então puxa Xena para um abraço. Gabrielle(sussurrando): Quer saber um segredo? Xena(também sussurrando): O que? Gabrielle: Pra mim não havia mágica nelas até eu encontrar alguém pra compartilhar. Ela abraçam uma a outra por um longo momento, então se afastam um pouco apenas pra deitarem de lado, olhando-se com um pequeno espaço entre elas. Xena: Eu fiquei feliz por aquelas estrelas naquela noite, embora por uma razão diferente, CORTA PARA: Ext - Acampamento no deserto - Noite - 36 verões atrás. Xena está adormecida em seu cobertor.Há muitas estrelas no céu, e elas iluminam o chão.Ela ouve um som como um galho quebrando e lentamente reage sob o cobertor, seus dedos segurando o chakram e a espada.Ela continua deitada quieta, seus olhos estão fechados. Nós ouvimos um baruho arrastado e os dedos de Xena apertam-se em seu chakram, mas seus olhos continuam fechados.Uma sombra passa sobre ela e a luz das estrelas reluz contra algum metal, revelando a lâmina de uma cimitarra* erguendo-se em direção a sua garganta.No momento em que a lâmina desce, Xena ergue sua espada, parando-a.Ao mesmo tempo, ela deixa seu chakram voar.Ele ricocheteia em duas pedras, e passa assobiando por Argo.Vários metros atrás de Argo, uma figura sombria aparece com uma adaga erguida, pronta pra ser lançada em Argo.O chakram arranca a lâmina da mão do homem. Xena levanta-se num pulo e pega o chakram de novo.Ela se encarrega do homem com a cimitarra enquanto fica de olho no homem que atacaria Argo.O homem apressasse e Xena assobia.Argo vira-se e empina, coiceando o ar antes de abaixar-se, atingindo o homem e fazendo-o voar ao chão.A luz das estrelas revela seu rosto.É Wahed, sua expressão deformada de raiva.Ele está segurando seu braço como se estivesse com dor. Wahed: Auuuuuhhghh! Ele levanta-se e procura pela adaga.Ele a vê e se ajoelha para agarra-la, então levanta-se e encara Argo. Wahed: Eu vou ter ensinar uma última lição sua maldita besta! Xena ainda está lutando contra o outro homen.Ela vê Wahed e joga o chakram de novo, enterrando-o no peito de Wahed, justo quando ele baixa a adaga em direção a Argo. Xena: Ninguém além de mim ensina lições ao meu cavalo!Sheeee - YA! Ela luta com vigor renovado, forçando o ataque para a defensiva.Ele andar em volta com a cimitarra, usando ambas as mãos, e ela com um movimento igual, a tira das mãos dele.A cimitarra voa pra longe e Xena pula pra cima do homen, jogando-o no chão e colocando a espada em sua garganta. Xena: Fajer! Fajer: Xena.Eu posso explicar. Xena: Claro que pode. Fajer: Eu estava vindo pra salvar seu cavalo de Wahed. Xena: Você estava vindo pra cortar minha cabeça fora. Ele abre a boca pra falar, e Xena pressiona a lâmina mais forte, fazendo-o fechar. Xena: Eu vi você e Galeel conversando, lembra?Antes da corrida começar. Fajer: Sim e daí? Xena inclina-se mais perto e puxa uma adaga do cinto, arrastando a lâmina pelo lado do rosto dele. Xena: E daí que eu posso ler os lábios. Os olhos dele alargam de medo. Fajer: Seria melhor pra você me libertar. Xena: Ah é?E por que? Fajer: Você matou Wahed.Galeel programou pra que ele ganhasse a corrida.Ele não ficará feliz quando ouvir sobre isso. Xena olha em volta.O acampamento está silencioso.Barulhos agitados podem ser ouvidos dentro de algumas tendas, mas ninguém se atreve a sair e intervir. Xena: Ele está 800 milhas longe. Ela arrasta a adaga pra baixo e pra cima no rosto dele. Xena: E se eu te matar, quem vai contar?Hein?Todos eles ouviram você agorinha mesmo.As paredes da tenda são bem finas.Agora todos eles sabem que a corrida estava arranjada.Você acha que algum deles vai se importar em me delatar? Voz em uma tenda: Eu não vou te delatar! Outra voz de outra tenda: Nem eu! Outra voz(gritando): Não me machuque, eu não vou contar! Mais outra voz: O que significa delatar?Seja lá o que for, eu não vou fazer isso. Xena ri malignamente, então sua face fica fria.Ela tira a adaga e a espada dele, e Fajer levanta. Xena: Fique vinte jardas de mim ou de meu cavalo de novo, e eu vou te matar num piscar de olhos. Ela vira-se com desgosto e vai checar Argo.Ela ouve um barulho atrás dela e vira-se, com a espada em ponto e avança para Fajer que empunhava sua cimitarra.Ele ofega e pinga sangue de seus lábios.Enquanto Xena retira sua espada, ele cai ao chão com um golpe.Ela observa sua espada com satisfação, então caminha sobre Wahed, empurrando seu pé sobre o peito dele e retirando o chakram.Ela enxuga o sangue do chakram na túnica dele, então empurra levemente o corpo dele com o pé. Xena: Porco. Ela caminha até Argo, e a checa, afagando-a. Xena: Você está bem garota?Ele não te machucou, machucou? Argo cutuca a barriga dela com o nariz, relinchando. Xena: Nós duas estamos bem acordadas.Poderíamos começar cedo, hein? Argo resmunga concordando.Xena vira-sse e dirige a voz a todas as tendas. Xena: Escutem todos, eu estou lhes dando um aviso justo.Não há regras sobre a hora de começar a cada manhã;Eu estou desmontando acampamento e começando agora.O sol estará alto daqui algumas horas de qualquer modo. Ela vira-se e começa a selar Argo.O acampamento explode em atividade e muitos fazem o mesmo.Xena termina de selar, segura suas mochilas e armas e monta em Argo.Ela olha por volta do acamapento, e balança a cabeça.Seus olhos param por último nos dois corpos mortos no chão e um sorriso malvado aparece em sua face.Ela cospe neles e então guia Argo para o outro lado, e dirige-se ao Oeste.Atrás dela, uma leve coloração rosa no céu aparece sobre as montanhas do leste. *Cimitarra = Espada de estilo Árabe com lâmina curvada. CORTA PARA: Externa - Acampamento no deserto - Noite - Presente. Xena e Gabrielle estão ainda deitadas juntas sob as estrelas, encarando-se.Xena está olhando pra baixo e se mantém assim quando começa a falar. Xena: O fato é Gabrielle, que eu apreciei matá-los. Gabrielle: Mas você estava defendendo Argo.E a si mesma. Xena: Mas eu apreciei isso. Gabrielle ergue a mão e toca sua face. Gabrielle: Depois de todo esse tempo, você acha que eu não vi esse seu lado?Xena, olhe pra mim. Depressivos olhos azuis lentamente erguem o olhar. Gabrielle: Isso é parte de quem você é.Deuses, é parte do que eu sou também.Eu sei como é. Xena ofega, como se sentisse dor. Gabrielle: Xena, isso é sobreviver.É parte do mundo no qual vivemos.Matar ou ser morta, não é o que temos de fazer as vezes? Xena acena levemente. Gabrielle: Uma vez eu te disse, que eu tinha reflexos de uma guerreira, mas não o juízo de uma.Lembra?Com Virgil e os canibais? Xena: Sim, eu lembro. Gabrielle: Mas aquilo era uma explosão de adrenalina Xena.Eu sei como se sente.Aquela explosão, quando você acaba de escapar da morte. Xena: Mas você nunca apreciou matar. Gabrielle: Não.Mas as vezes, no calor da batalha, eu acho que as coisas ficam todas misturadas dentro de nós.Aquela explosão, as vezes é o que nos faz continuar, e as vezes é uma sensação boa, entende?Mas as vezes, é o que nos mantém vivas. Xena: Mas você não é uma assassina. Gabrielle toca a face dela novamente: Gabrielle: E nem você é.Não mais.Xena, desde que você conheceu Hercules, você assassinou alguém?Não matar em auto-defea, ou pra proteger alguém, mas fora isso, você matou alguém? Xena: Eu...Ming... Gabrielle: Não!Nós teríamos saído da China, se ficasse vivo? Xena: Não, ele teria vindo atrás de nós. Gabrielle: Alguém mais?Você consegue pensar em alguém mais. Xena fecha os olhos pra pensar, e Gabrielle continua a acariciar seu rosto.Lentamente Xena levanta uma mão e segura a mão de Gabrielle, abrindo os olhos. Xena: Não.Sabe de uma coisa? Gabrielle: O que? Xena: Eu acho que eu queria ter tido uma Gabrielle no passado pra pôr algum sentido em mim.Eu continuei no resto da corrida, por causa da culpa.Eu deixei a Grécia e fiz todo aquele caminho, só pra descobrir a culpa dentro de mim.E eu ainda apreciei matar, esse foi um dos meus piores momentos. Gabrielle: Imagino que você terminou a corrida? Xena: Eu a venci. Gabrielle: O que??! Ela olha em volta. Gabrielle: Não pra constatar o óbvio, mas como estamos deitadas aqui no meio do deserto nesse cobertor, e vez de uma fina casa em algum lugar? Xena dá uma gargalhada. Xena: Era bem anti-climático.Sério. Alguns dos outros continuaram no desafio, mas a cada momento alguém desistia.Argo se esforçava mais.Não tinha muito a fazer, além de persistir na corrida. CORTA PARA: Externa - Cidade de Gaza - Dia - 36 verões atrás. Xena e Argo estão correndo pela cidade, com vários corredoras em seu encalço.Ao longo de todas as ruas, uma multidão os felicita.Um corredor, as alcança e quase as passa, correndo lado a lado.Xena olha para ele, e vira-se quando escuta outro logo atrás.Ele a ataca de lado e os três começam a correr, pescoço a pescoço para o outro lado da cidade. Quando eles passam a última construção, eles guiam para um local aberto na praia.Xena abaixa-se em Argo e ri selvagemente, enquanto o vento joga seu cabelo pra trás e Argo decola, deixando os outros no pó.Ela vê uma faixa brilhante e outra multidão e sorri novamente quando se aproxima para romper.A multidão explode em aplausos, enquanto eles continuam cavalgando, quando quase na beirada das ondas, Xena salta de Argo e bate a água mergulhando e espirrando água em Argo.Argo parece gostar, balançando a cabeça pra cima e pra baixo. Um homem vestido finamente se aproxima dela, e ela o olha, e caminha para fora da água, guiando Argo pelas rédeas. Homem: Eu sou Majeed.Parabéns!Você venceu o Oceano de Fogo. Ele observa Argo. Majeed: Ela não é Árabe. Ele aspira numa respiração ofegante. Majeed: É você mesma.Ele mandou um recado por um pombo correio.Ele achou que seria uma boa brincadeira. Ele sorri e curva-se Majeed: Vejo que ele estava errado.Vá com Allah minha senhora.E sempre tenha em mente que você ganhou a maior corrida da história da humanidade. Xena: Obrigada. Eles cumprimentam-se e ela e Argo começam a caminhar.Ela para e vira-se. Xena: Majeed, você não se parece em nada com seu irmão.Continue assim. Majeed a olha confuso, enquanto ela caminha em direção à cidade, e a multidão comemora atrás dela. CORTA PARA: Externa - Acampamento no deserto - Noite - Presente. É a mesma noite, o mesmo cobertor e as mesmas estrelas.Elas ainda estão deitadas juntas, conversando. Gabrielle: E o que aconteceu com o dinheiro? Xena: Primeiro as primeiras coisas.Eu guiei para o deserto, e encontrei outro bando de cavalos e libertei Argo. Gabrielle: Mas... Xena: calma aí.Estou chegando lá.Eu a deixei ir, porque eu senti que devia isso a ela.Ela me carregou todo o caminho para o Golfo Persa, e me fez uma mulher rica.O minimo que eu poderia fazer, era devolver a liberdade a ela. Gabrielle: Soa bastante justo.Mas... Xena cobre os lábios dela e ri, então os descobre.Gabrielle sorri para ela, charmosamente. Xena: Então eu voltei pra cidade.Eu planejei pagar um quarto pra uma noite, e reservar uma passagem de volta pra Grécia, na manhã seguinte.Mas primeiro eu voltei pra praia onde tinhamos ganho.Eu queria me livrar de toda a multidão por um momento e pensar, descansar.A praia estava vazia, exceto por um garoto. CORTA PARA: Externa - Praia - Dia - 36 verões atrás. Xena está caminhando ao longo da praia, descalça, carregando sua mochila e suas botas.Mais abaixo, ela pode ver alguém sentado perto das ondas.A medida que ela se aproxima, nós vemos o mesmo garoto que estava correndo na corrida.Ele olha pra cima e a vê, levanta-se e começa a se afastar. Xena: Espera aí. Ele parece pensar sobe isso.Ele espera até que ela o alcance.Seu rosto está molhado de lágrimas. Xena: Você correu na corrida, não foi? Garoto: Sim. xena: qual seu nome? Garoto: Shabab. Xena: Onde está seu cavalo? Shabab: O vendi. Xena o olha como se preferisse estar em qualquer outro lugar. Xena: Por que?Hei, quantos anos você tem? Shabab: Tenho 12.Eu vendi meu cavalo pra comprar comida.E uma passagem pra casa. Xena: E onde é sua casa? Shabab: Cairo.Minha familia está lá. Xena: Cairo?Sua familia deixa uma criança como você viajar tudo isso pra Hajar sozinho, e guiar por uma corrida de mil milhas pelo deserto?Certo.Criança, você sabe contar histórias. Shabab(desafiador): Ninguem me deixa fazer nada.Eu fugi dois anos atrás.Eu escutei sobre a corrida, e tomei o caminho com uma caravana até chegar em Hajar.Eu trabalhei por meses, no estábulo de um sheike rico.Eu o convenci a me pagar com um dos cavalos.Ele nao era o cavalo mais fino, mas era um Árabe puro.Eu economizei bastante dinheiro pra comprar uma vaga na corrida, e agora tudo está arruinado. Ele olha pra baixo, e seu corpo inteiro treme.Xena segura seu ombro e procura na própria bolsa algumas moedas de ouro de seu prêmio.Ela as alcança para ele. Xena: Ouça criança.Sinto muito por sua perda, mas não é o fim do mundo.Você teve uma grande aventura pra contar a seus netos um dia.Você fez uma boa corrida.Talvez quando você for um homem, você possa tentar de novo.Agora, pare de chorar e volte pra casa, para sua familia. Shabab: Eu vou voltar pra casa, mas não posso voltar pra minha familia. Xena: Por que nao? Shabab: Toda minha família são escravos no Cairo.Eu fugi do nosso senhor.Escravos que fogem são punidos severamente.Eu..estava correndo na corrida pra ganhar, então poderia comprar a liberdade de minha família. Xena estremece um pouco, e sua mão cai do ombro dele. Xena: O prêmio todo?É um bom dinheiro pra comprar uma família. Shabab: Eu tenho uma família grande.Irmãos, irmãs, meus avós, mãe e pai, meus tios e tias, e primos.Há mais de 50 de nós, todos juntos.O prêmio seria o suficiente pra comprar todos eles, e comprar um lugar pra nós vivermos. Xena ergue seu queixo e o olha profundamente nos olhos.Shabab abre sua túnica e a abaixa um pouco.Ele vira-se e mostra-lhe as costas.Ela está cheia de machucados de batidas de chicote.EWm um braço ele tem uma tatuagem que o faz escravo.Ele ergue suas roupas e a fecha, virando-se novamente.Xena pode ver a verdade nos olhos dele.Sem dizer nada, ela abre a mochila e tira o saco de dinheiro, dando a ele. Sua voz tremula quando ela fala novamente. Xena: Boa sorte com sua familia, criança. Ela vira-se e desce a praia, deixando um Shabab olhando perplexo para ela. CORTA PARA: Externa - Acampamento do deserto - Noite - Presente É a mesma noite, mesmo cobertor, mesmas estrelas.Elas ainda estão deitadas juntas conversando. Gabrielle também está silenciosamente perplexa, apenas olhando para Xena.Orgulho brilha em seus olhos, e ela segura a mão de Xena e a aperta. Gabrielle: Você passou por tudo aquilo, e abriu mão.Deve ter sido muito duro pra você fazer isso. Xena(rindo): Eu estava tremendo feito uma folha por dentro.Eu nem poderia lembrar de ter feito algo assim antes.E depois de tudo, eu me senti tão iluminada por dentro.Mas então veio a noite, e tudo pesou novamente em mim, como se eu nunca tivesse deixado a Grécia.Eu estava de volta onde comecei.Tudo que tinha era algum dinheiro que ganhei quando vendi meu cavalo.Apenas o bastante pra comprar uma passagem pra cruzar o Mediterrâneo. Ela deitou-se de costas e colocou as mãos embaixo da cabeça.Gabrielle continua a deitar ao seu lado, enrolada perto dela, com uma mão na barriga de Xena. Xena: Eu sentia como se nada tivesse mudado depois de tudo.Eu não tinha nada, nem mesmo um cavalo.Não tinha um lar pra voltar.Eu apreciava ser uma guerreira, mas não podia fazer aquilo mais. Gabrielle: E Argo? Xena: Ah sim, eu tive que economizar tudo que tinha pra conseguir chegar em casa, então acabei acampando nos arredores da cidade naquela noite. CORTA PARA Externa- Arredores de Hajar - Noite - 36 verões atrás. Xena está sentada numa pedra, mexendo numa fogueira.Ela ouve um barulho e rapidamente ergue a espada, virando-se.Argo está parada atrás dela, olhando tão triste quanto um cavalo conseguiria. Xena: Argo? Ela abaixa a espada e caminha até a égua.Argo cutuca sua barriga e relincha alto reprimindo-a. Xena: Você quer ir pra Grécia comigo? Argo a cutuca de novo, fazendo um barulho contente. Xena: Você é louca, sabia? Argo relincha e balança a cabeça pra baixo e pra cima.Xena ri, e procura algo na sacola. Xena: Aqui, Eu tenho alguma aveia.Nós podemos conseguir um pouco mais amanhã pra viajem à Grécia.Você sabe que não será uma estrada fácil.Veja só o que aconteceu da primeira vez que você me seguiu. Argo a olha prudentemente e começa a mastigas a aveia. CORTA PARA: Externa - Acampamento no deserto - Noite - Presente. É a mesma noite, mesmo cobertor, e ainda as mesmas estrelas.Elas AINDA estão deitas juntas conversando. Gabrielle(rindo): Eu sei como ela se sentiu. Xena deu um tapinha na mão de Gabrielle que ainda estava em sua barriga. Xena: Sim, aposto que você sabe. Gabrielle: E daí, você foi pra casa? Xena continua em silêncio por um longo momento, olhando as estrelas. Xena: É, voltei pra Grécia, vaguei por um tempo, e fui parar numa clareira perto de Potédia.O resto é história. Ela sorri, mas há um traço de tristeza em seus olhos.Gabrielle franze as sobrancelhas e faz um barulho incoerente e confuso.Ela também deita-se de costas e olha para as estrelas.Ela olha para Xena e a vê engolir seco, e sabe que Xena percebeu que ela está olhando-a.Gabrielle olha de volta pra estrelas, mas sua mão rasteja pelo cobertor e segura a de Xena, enlaçando seus dedos juntos.Xena engole seco novament e olha para Gabrielle, que ainda está olhando para o céu.Xena olha pra cima. Gabrielle(suavemente): Xena? Xena: Uhn? Gabrielle: Quando nos conhecemos...quando você nos resgatou daqueles caçadores de escravos, suas armas estavam enterradas.Eu lembro disso.Engraçado, como as coisas mudaram pra você. Xena: É.Engraçado. Gabrielle: Xena? Xena suspira longamente. Xena: Sim? Gabrielle: Por que suas armas estavam enterradas? Xena deita-se de lado novamente, ainda segurando a mão de Gabby. Xena: Eu não precisava mais delas. Gabrielle(sussurrando): Você ia se matar, não ia? Xena acena levemente. Xena: Eu tinha chegado no meu limite.Eu não tinha mais nada pelo que viver.Eu iria voltar pra casa e dizer adeus pra minha mãe, e deixar Argo com ela.Eu sentia que devia a Argo um bom lar. Gabrielle: O que fez você mudar de idéia? Xena(tristemente): A princípio nada.Depois deixei você e sua vila a salvas, eu percebi que seria tolice viajar todo caminho pra Amphipolis sem armas.Se eu fosse atacada, eu precisaria ficar viva tempo o bastante pra deixar Argo em Amphipolis.Quando eu cheguei lá...minha mãe..havia tanto ódio nos olhos dela que eu achei que estava fazendo a coisa certa.Então eu ouvi que Draco vinha por aquelas bandas e tentei advertir o povo, mas bem, você viu o que eles queriam fazer... Gabrielle: Eles iriam te espancar até a morte.Você os teria deixado, não teria? Xena: Teria sido licença poética, Gabrielle.Eles sentiam-se como se eu tivesse tirado as vidas de seus filhos.Eu certamente trouxe veronha para eles, nos anos seguintes a Cortese.Mas você...você apareceu lá e se colocou a meu favor.Ninguém nunca tinha feito aquilo.Você salvou minha vida Gabrielle, três vezes naquela semana. Gabrielle: Três vezes? Xena: Uma naquela clareira em Potédia.Uma na taverna de minha mãe, e mais tarde quando apareceu no meu acampamento depois de eu lutar com Draco. Gabrielle: No acampamento?Eu não entendo. Xena: Depois que Draco partiu, o ancião de Amphipolis me ofereceu a pilhagem que tinham reunido para Draco.Gabrielle, ele ainda tinha medo de mim.Eles...ainda tinham medo de mim.E tinham todo o direito de ter,depois de tudo que fiz.Ele me via como apenas outra warlord (senhor da guerra, senhora da guerra) como Draco, e queria me acalmar pra eu não os massacrá-los.Parecia que não tinha mais esperança pra mim em nenhum lugar.Se Amphipolis não me queria, quem na terra iria me querer?Então eu fiz as pazes com minha mãe e fui pra outro acampamento.Eu vi osol se pôr naqula noite, e soube que seria o último pôr do sol que veria. Gabrielle: Você ainda ia se matar?Xena... Ela sentou-se e aproximou-se mais, olhando para Xena. Xena: Sim.E então esta criança apareceu...e entao, tudo mudou. Gabrielle: Como?Eu...Xena, tudo que fiz foi me intrometer na sua vida e mandar que você me levasse com você. Xena: Sim, foi isso.Eu planejaria ir pro Tartarus a seguir. Gabrielle o que você fez, foi acreditar em mim.Quando ninguém mais acreditava.Você me deu algo pelo que viver.O que eu decidi era que não precisava me matar.Eu iria apenas colocar as coisas no devido lugar um dia, e ver o que acontecia. Gabrielle: Quando você decidiu não se matar mais? Xena: Não sei dizer exatamente quando.Apenas um dia, eu olhei pela fogueira e percebi que tinha encontrado a inspiração que estava procurando.Não importava tanto onde eu fosse, ou mesmo o que faria, desde que eu e você fizéssemos juntas. Gabrielle a puxa mais perto e a beija suavemente, e então a abraça apertado. Gabrielle(suavemente): Eu nunca soube. Xena: Você é minha heroína, Gabrielle.Espero que saiba disso agora. Gabrielle começa a chorar silenciosamente e Xena a beija ternamente. FADE OUT FIM DO ATO QUATRO. FADE IN Externa - Jardim do templo - Dia - presente. Xena e Gabrielle se aproximam do templo, guiando através do portão e desmontando.O chão do templo é verde e bem cuidado.Ambos os cavalos imediatamente abaixam-se e rolam, então levantam-se e começam a pastar. Gabrielle: Eu simpatizo com eles. Xena: Quer ficar nua e rolar na grama? Gabrielle levanta as sobrancelhas e Xena tem um sorriso devastador em seu rosto.Ela olha pra Gabrielle de cima abaixo, da cabeça aos pés. Gabrielle: Guarde isso pra quando encontrarmos alguma grama que não seja de um lugar sagrado. Xena: Nós podemos fingir que estamos celebrando ritos de fertilidade.É uma cerimônia religiosa. Gabrielle: Considerando que ambas somos férteis, seria algo perigoso, especialmente quando não sabemos com que tipos de deuses estamos lidando. Xena parece considerar isso. Xena: Você tem razão.Okay, vamos terminar isso, e voltar pra Grécia, onde os deuses estão... Gabrielle: Mortos.A maioria. Elas sobem um alto lance de escadas. Xena: Está com você, não está? Gabrielle dá uma batidinha na sua mochila. Gabrielle: Bem aqui. Elas batem numa pesada porta de cedro.Depois de esperar e bater mais algumas vezes, elas olham uma pra outra e encolhem os ombros.Xena empurra e porta e ela abre. CORTA PARA Interna - Templo - Dia - Presente. Ela entram.É um cômodo grande e arejado, com teto arqueado, e chão e paredes de pedra.A música dos sinos pode ser ouvida com um baixo som se canto ao fundo, e velas iluminam o interior.Há vários monges de hábitos, ajoelhados em tapetes.Na fronte do cômodo, tem um altar de cedro vazio.Xena limpa a garganta e o som ecoa pela câmara.Todos os homens param de cantar e viram-se encarando-as. Gabrielle: Uhn...oi. Um dos monges levanta e vai até elas cumprimentá-las, mas não fala.Ele acena graciosamente e gesticula em direção a uma pilha de tapetes numa mesa perto da parede. Xena: Não estamos aqui pra rezar. O monge franze a sobrancelha e acena novamente. Gabrielle: Você fala? O homem balança a cabeça negativamente. Xena: Ah, voto de silêncio.Pena que mais pessoas não... Gabrielle olha pra ela indignada.Xena sorri travessamente. Gabrielle: Comporte-se. Gabrielle(continua, para o monge): Nós trouxemos isso. Ela olha pra baixo e procura em sua mochila, enquanto continua a falar. Gabrielle: Nós achamos que pertence a esse lugar. Ela mostra o graal e todos os monges menos um, levantam imediatamente. Monge: Vocês devem ser anjos, enviados pra trazer de volta a sagrada relíquia! Xena: Não somos anjos, acredite. Gabrielle: Não, nós o pegamos com um...amigo que nos disse pra trazer pra cá. Ela o alcança para ele, e ele recusa. Monge: Por favor, você foi abençoada.Coloque-o no altar.Nós não temos permissão para tocá-lo. Gabrielle olha pra Xena, e faz o que ele pede, colocando o graal no centro de uma mesa iluminada por velas.Ela volta pro lado de Xena. Gabrielle: Você disse que não falava. Monge: Eu sou o líder desses homens.Nós fizemos voto de silêncio desde o dia que tiraram o graal de nós.Agora que o temos de volta, passaremos por um período de purificação, e depois poderemos falar novamente. Gabrielle: Posso ver. Xena: Também temos um par de cavalos, se vocês precisarem. Gabrielle a puxa pela manga e a puxa para sussurrar algo em seu ouvido. Xena: Tem certeza? Gabrielle acena e sorri. Xena: Certo.(vira-se para o monge) Quer dizer, um cavalo, se você o quiser. Monge: Ficamos agradecidos pelo presente.Por favor.Se juntam a nós para a ceia?É o mínimo que podemos oferecer depois de vocês trazerem o graal de volta. Xena: Obrigada, mas temos um navio pra pegar daqui a pouco. Monge: Como desejar.Vão em paz crianças, e que o amor de Deus as abençoe todos os dias. Gabrielle: Obrigada, CORTA PARA: Externa - Jardim do templo - dia - presente. Xena e Gabrielle deixam o templo e voltam para a estrada. Xena: Então, quer ficar com ele é? Gabrielle: Eu me apeguei a ele.Além disso, eu não tenho um cavalo só meu por um longo tempo. Xena: Bastante justo.Argo ficará feliz e aliviada que nós duas estejamos cavalgando. Gabrielle a cutuca na barriga. Xena: Oof.Eu não esperava por isso.Então, como vai chamá-lo? Gabrielle: Estava pensando em Jace. Xena: Jace?Você vai dar a ele o nome do irmão do Joxer?? Gabrielle: Não sua boba.Por causa de Jasão, Jasão e os Argonautas.Você sabe, Jace e Argo.Soa bem, não soa? Xena: sim, gostei. Elas se despedem do outro cavalo, pegam Jace e deixam o jardim. CORTA PARA: Externa - Deserto - Dia - Presente. Xena coloca um braço em volta os ombros de Gabrielle, enquanto elas caminham pela areia. Xena: Estou feliz em apresentar Jace pra primeira filha de Argo. Gabrielle: Provavelmente está em tempo dela conhecer um pouco de sua origem. Xena: Sim, isso será bom.Parece que temos uma família de dois cavalos novamente. Gabrielle: Shhhh.Não diga a palavra 'família' tão perto do templo.Nós ainda não sabem,os sobre seus deuses e aquela coisa da fertilidade. Xena: Eles são todos homens Gabrielle.Provavelmente é seguro dizer fertilidade.Não é grande parte do negócio deles. Gabrielle: Verdade. Ambas riem. Gabrielle: Então, pra onde agora?Pronta pra pegar o navio pra casa? Xena: Não me importo, Gabrielle, desde que você me leve com você.Eu tenho estado em casa por muito tempo. Gabrielle aparenta estar profundamente emocionada.Ela para e segura a mão de Xena, e enlaça seus dedos juntos.Elas caminham pelo pôr do sol, balançando seus braços e conversando.À distância, aparecendo atrás delas, nós vemos o fantasma de uma égua palomina dourada, correndo livre pelo deserto. DISCLAIMER: Nem areia, nem sol foram prejudicados durante a produção desse episódio.